A voz do Sinai (por Daniel Placido)
Escrevi esta mistura de conto e poesia há alguns anos . Anos contínuos de estudo e fáustica elucubração, consultei os manuscritos de Hermes, Pseudo-Demócrito, Paracelso, Saint-Germain e outros filósofos do fogo. Quando a noite cai na mansão da alma, à penumbra um trabalho secreto desenrola-se no cerne de um gabinete excelso, enquanto as cores reluzentes no Forno alquímico mudam com calma; não obstante a Obra ter sido realizada com persistência e zelo, sem a graça divina tudo vira um intrincado novelo ou uma miragem, e declina em mais um trauma e erro retumbante. Estudei com afinco os livros das grandes tradições de sabedoria, sobretudo Pentateuco, Avesta, Alcorão, Sutras, Vedas, Bhagavad Gita, Upanisads, Eddas, até citá-los de memória com alegria. Todavia, não tinha a chave para abrir os portões dos seus mistérios, tampouco encontrei um fio de Ariadne no labirinto da miríade de sentidos, os quais permanecem cerrados, a não ser para alguém como o rabi Akiva, que, com um sorriso, p...