A Filosofia Perene e suas múltiplas linhagens (por Daniel Placido)
As raízes remotas daquilo que, no Renascimento, seria denominado Filosofia Perene (em sentido amplo) encontram-se, sem sombra de dúvida, tanto no neoplatonismo da Antiguidade Tardia quanto na Patrística cristã. O neoplatonismo caracterizou-se por um amplo esforço de síntese entre a herança filosófica helênica e as diversas tradições religiosas e filosóficas orientais, embora amiúde rejeitasse o cristianismo em razão de seu exclusivismo soteriológico. Os Pais da Igreja, por sua vez, empenharam-se em conciliar a novidade da revelação cristã com a filosofia helênica, mas sem abdicar da concepção de que o cristianismo representava também seu ápice e superação. Ademais, a concepção de uma Filosofia Perene não foi estranha ao Oriente, especialmente dentro do mundo islâmico, o qual acolheu durante o Medievo a herança do pensamento filosófico helênico, mesclando-a às tradições endógenas e desenvolvendo-a em função de suas próprias questões. Desse modo, tanto filósofos ocidentais quan...