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Meu curso sobre o Esoterismo Ocidental

Esta é a terceira versão do meu curso "História do Esoterismo Ocidental", criada desta vez em parceria com a Escola Gnóstica e disponível no Hotmart. É um curso introdutório, abordagem histórica, com 9 aulas, perpassando períodos  e correntes essenciais do Esoterismo Ocidental, com material didático de apoio. Temas: Mistérios Antigos; Platonismo e Neoplatonismo; Gnosticismo; Hermetismo; Druidismo; Templários; Cátaros; Santo Graal; Rosacrucianismo; Teosofia clássica; Prisca Teologia; Maçonaria; Romantismo; Ocultismo; Antroposofia e Teosofia moderna; Tradicionalismo; New Age etc. Acredito que, em termos de Brasil, é um dos cursos mais completos e diversos disponíveis, fruto de quase 30 anos de pesquisa a respeito.  Com preço acessível e justo. É um curso interessante para iniciantes na senda esotérica e para pesquisadores acadêmicos da área de Ciências Humanas. Link:  https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/historia-do-esoterismo-ocidental/Y101924918F

A Filosofia Perene (Agostino Steuco)

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  Trecho do De Perenni Philosophia, Livro I, Capítulo I, obra original de 1540.  Sobre a transmissão da doutrina desde o início do mundo 1. Duas origens da tradição Assim como existe um único princípio de todas as coisas, também o conhecimento desse princípio foi sempre o mesmo, em todos os tempos e entre todos os povos. Disso dão testemunho tanto a razão quanto os monumentos escritos de numerosas nações. Em parte, esse conhecimento teve sua origem na própria origem da humanidade e foi transmitido, desde então, através das gerações; em parte, surgiu da contemplação da multiplicidade das coisas e tornou-se célebre sob o nome de filosofia. 2. O conhecimento de Adão Esse conhecimento já estava presente de forma íntegra e completa nos primeiros seres humanos. A prova evidente disso é que, ao nascerem, perceberam que haviam sido criados por Deus e contemplaram tudo o que pouco antes fora criado por Ele: o céu, a terra e o mar, surgidos do nada, bem como os seres vivos, os astros e ...

Quatro tipos de filósofos - revisado (por Daniel Placido)

  Ao longo da história, a filosofia assumiu diferentes formas e finalidades, de acordo com o contexto. De modo geral, é possível distinguir quatro grandes tipos de filósofos: os reis- filósofos, unindo teoria e prática, filosofia e política; os teósofos, voltados à espiritualidade; os intelectuais puros, dedicados estritamente ao saber racional e científico; e os militantes, engajados na transformação social. Na Antiguidade, a começar por Pitágoras e Arquitas, mas consumado sobretudo em Platão, temos um tipo de filósofo voltado para a espiritualidade e para a aquisição de um saber divino, por assim dizer, “revelado”, mas cuja sabedoria se concretiza na vida política, na organização da comunidade. Após incursões fracassadas na realpolitik, Platão idealiza na "República" uma sociedade em que a justiça consiste em que cada indivíduo e grupo atue de acordo com sua qualificação natural. O filósofo, correlato à alma racional, é aquele que conheceu o mundo inteligível diretamente,...

Sócrates, Nasrudin e uma dose de ironia (Daniel Placido)

 Na época da graduação em Filosofia, lembro-me de um certo desconforto durante uma aula. Um professor afirmou, de forma categórica, que filosofia e religião possuíam naturezas opostas e inconciliáveis. Simples assim. Levantei a mão e, educadamente, observei que uma afirmação tão genérica não parecia se aplicar a autores como Plotino e Santo Agostinho. Para minha surpresa, a resposta do professor veio em tom irônico, quase como um argumento de autoridade: Plotino, segundo ele, considerava o Uno apenas uma hipótese teórica, enquanto Agostinho não passava de um sujeito carola. Fiquei em silêncio, mas, depois daquele episódio, minha estima pelo professor diminuiu bastante... Algum tempo depois, cursei outra disciplina, obrigatória, com o mesmo docente. Curiosamente, durante uma das aulas, eu pensava de maneira um tanto aleatória em Nasrudin, o sábio irreverente da tradição islâmica, geralmente associado ao sufismo. Para minha surpresa, naquele exato momento o professor mencionou Nasrud...

Meu novo livro: "A Prisca Theologia de Marsilio Ficino"

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  A Editora Madamu lança o livro "A Prisca Theologia de Marsilio Ficino" que se debruça sobre a obra do filósofo, padre, tradutor, astrólogo e mago italiano Marsilio Ficino (1433-1499). Escrita por Daniel Rodrigues Placido, o livro analisa a noção de prisca theologia (teologia antiga) elaborada por Ficino no contexto do Renascimento, e que enuncia a existência de uma sabedoria antiga veiculada pelas diferentes filosofias e religiões, através de uma cadeia de sábios ou teólogos antigos, que estaria, ademais, em pleno acordo com as verdades do cristianismo. Daniel Placido explica que Ficino praticamente abordou e reelaborou o tema da prisca theologia ao longo de toda sua carreira intelectual, desde textos de juventude e do prefácio ao Pimander (Corpus Hermeticum), passando pelas grandes obras De christiana religione e Teologia platônica , até seus últimos textos, cartas, traduções e comentários. O filósofo florentino acreditava que tal teologia antiga “profetizava” o cont...

A Filosofia Perene e suas múltiplas linhagens (por Daniel Placido)

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  As raízes remotas daquilo que, no Renascimento, seria denominado Filosofia Perene (em sentido amplo) encontram-se, sem sombra de dúvida, tanto no neoplatonismo da Antiguidade Tardia quanto na Patrística cristã. O neoplatonismo caracterizou-se por um amplo esforço de síntese entre a herança filosófica helênica e as diversas tradições religiosas e filosóficas orientais, embora amiúde rejeitasse o cristianismo em razão de seu exclusivismo soteriológico. Os Pais da Igreja, por sua vez, empenharam-se em conciliar a novidade da revelação cristã com a filosofia helênica, mas sem abdicar da concepção de que o cristianismo representava também seu ápice e superação. Ademais, a concepção de uma Filosofia Perene não foi estranha ao Oriente, especialmente dentro do mundo islâmico, o qual acolheu durante o Medievo a herança do pensamento filosófico helênico, mesclando-a às tradições endógenas e desenvolvendo-a em função de suas próprias questões. Desse modo, tanto filósofos ocidentais quan...

Limiares: Ártemis, Porfírio e o Nemeton (por Daniel Placido)

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  Na religião grega antiga, a deusa Ártemis ocupava uma posição singular: não pertencia inteiramente ao mundo civilizado da pólis tampouco ao domínio da natureza selvagem, de acordo com Jean-Pierre Vernant (2021). Não por acaso, seus santuários localizavam-se amiúde em bosques, montanhas e fronteiras, lugares distantes onde a ordem humana encontrava as forças indomadas da vida natural. Esses espaços não representavam apenas o intocado e o incivilizado, o totalmente outro, porém uma zona de transição e contato entre cultura e natureza. Como protetora dos animais selvagens, dos caçadores e dos jovens em transição para a vida adulta e dos espaços marginais, Ártemis encarna perfeitamente essa condição liminar, uma dialética de alteridade e semelhança. Essa condição encontra, a nosso ver, um paralelo com a interpretação de Porfírio em O Antro das Ninfas (2022). Para o filósofo neoplatônico, a caverna dedicada às ninfas, encontrada por Ulisses no retorno à  Ítaca ( Odisseia, can...