Sócrates, Nasrudin e uma dose de ironia (Daniel Placido)
Na época da graduação em Filosofia, lembro-me de um certo desconforto durante uma aula. Um professor afirmou, de forma categórica, que filosofia e religião possuíam naturezas opostas e inconciliáveis. Simples assim. Levantei a mão e, educadamente, observei que uma afirmação tão genérica não parecia se aplicar a autores como Plotino e Santo Agostinho. Para minha surpresa, a resposta do professor veio em tom irônico, quase como um argumento de autoridade: Plotino, segundo ele, considerava o Uno apenas uma hipótese teórica, enquanto Agostinho não passava de um sujeito carola. Fiquei em silêncio, mas, depois daquele episódio, minha estima pelo professor diminuiu bastante... Algum tempo depois, cursei outra disciplina, obrigatória, com o mesmo docente. Curiosamente, durante uma das aulas, eu pensava de maneira um tanto aleatória em Nasrudin, o sábio irreverente da tradição islâmica, geralmente associado ao sufismo. Para minha surpresa, naquele exato momento o professor mencionou Nasrud...