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Limiares: Ártemis, Porfírio e o Nemeton (por Daniel Placido)

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  Na religião grega antiga, a deusa Ártemis ocupava uma posição singular: não pertencia inteiramente ao mundo civilizado da pólis tampouco ao domínio da natureza selvagem, de acordo com Jean-Pierre Vernant (2021). Não por acaso, seus santuários localizavam-se amiúde em bosques, montanhas e fronteiras, lugares distantes onde a ordem humana encontrava as forças indomadas da vida natural. Esses espaços não representavam apenas o intocado e o incivilizado, o totalmente outro, porém uma zona de transição e contato entre cultura e natureza. Como protetora dos animais selvagens, dos caçadores e dos jovens em transição para a vida adulta e dos espaços marginais, Ártemis encarna perfeitamente essa condição liminar, uma dialética de alteridade e semelhança. Essa condição encontra, a nosso ver, um paralelo com a interpretação de Porfírio em O Antro das Ninfas (2022). Para o filósofo neoplatônico, a caverna dedicada às ninfas, encontrada por Ulisses no retorno à  Ítaca ( Odisseia, can...