Meu novo livro: "A Prisca Theologia de Marsilio Ficino"

 

A Editora Madamu lança o livro "A Prisca Theologia de Marsilio Ficino" que se debruça sobre a obra do filósofo, padre, tradutor, astrólogo e mago italiano Marsilio Ficino (1433-1499). Escrita por Daniel Rodrigues Placido, o livro analisa a noção de prisca theologia (teologia antiga) elaborada por Ficino no contexto do Renascimento, e que enuncia a existência de uma sabedoria antiga veiculada pelas diferentes filosofias e religiões, através de uma cadeia de sábios ou teólogos antigos, que estaria, ademais, em pleno acordo com as verdades do cristianismo.

Daniel Placido explica que Ficino praticamente abordou e reelaborou o tema da prisca theologia ao longo de toda sua carreira intelectual, desde textos de juventude e do prefácio ao Pimander (Corpus Hermeticum), passando pelas grandes obras De christiana religione e Teologia platônica, até seus últimos textos, cartas, traduções e comentários. O filósofo florentino acreditava que tal teologia antiga “profetizava” o conteúdo dos dogmas cristãos, não de forma explícita, mas como figura e preparo racional para a verdade evangélica; era um discurso teológico-racional que não contradizia o cristianismo, mas o antevia e preparava.

Pelo livro escrito por Daniel Rodrigues Placido descobrimos que Ficino foi igualmente responsável pela grande difusão do hermetismo a partir do Renascimento, ao abordar temas como a magia e a astrologia, além do neoplatonismo, do orfismo, da teurgia (Oráculos caldeus), entre outros. O florentino acreditava que os “teólogos antigos” haviam escondido do vulgo, usando véus poéticos alegóricos, uma sabedoria secreta ou esotérica considerada muito antiga.

Como afirma o prof. Tommy Akira Goto (UFU), no prefácio, "para o campo da Filosofia, o livro oferece pelo menos três contribuições relevantes. Em primeiro lugar, revaloriza o Renascimento como momento filosoficamente produtivo e não mero período de transição entre Idade Média e Modernidade. Em segundo lugar, evidencia a continuidade estrutural entre platonismo antigo, neoplatonismo tardio e pensamento cristão renascentista, problematizando as narrativas de ruptura absoluta. Por fim, em terceiro, convida à reconsideração do estatuto epistemológico e ontológico de saberes tradicionalmente classificados como “marginais”, mostrando que a fronteira entre filosofia e esoterismo é historicamente mais porosa e fértil do que supõem as classificações modernas."

O professor Goto lembra ainda que, "para o campo do Esoterismo ocidental, a obra oferece um modelo de investigação que reúne rigor histórico e densidade conceitual. Ao examinar Ficino como filósofo sistemático e não apenas como tradutor ou místico, Daniel Rodrigues Placido contribui para elevar o nível do debate acadêmico sobre o tema. Demonstra que o esoterismo renascentista não pode ser compreendido sem a reconstrução de seus pressupostos metafísicos, filosóficos e teológicos.


Link: https://www.madamu.com.br/priscatheologia


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