A Filosofia Perene (Agostino Steuco)
Trecho do De Perenni Philosophia, Livro I, Capítulo I, obra original de 1540.
Sobre a transmissão da doutrina desde o início do mundo
1. Duas origens da tradição
Assim como existe um único princípio de todas as coisas, também o conhecimento desse princípio foi sempre o mesmo, em todos os tempos e entre todos os povos. Disso dão testemunho tanto a razão quanto os monumentos escritos de numerosas nações. Em parte, esse conhecimento teve sua origem na própria origem da humanidade e foi transmitido, desde então, através das gerações; em parte, surgiu da contemplação da multiplicidade das coisas e tornou-se célebre sob o nome de filosofia.
2. O conhecimento de Adão
Esse conhecimento já estava presente de forma íntegra e completa nos primeiros seres humanos. A prova evidente disso é que, ao nascerem, perceberam que haviam sido criados por Deus e contemplaram tudo o que pouco antes fora criado por Ele: o céu, a terra e o mar, surgidos do nada, bem como os seres vivos, os astros e os campos verdejantes.
Após sua criação, desfrutaram da conversa com Deus e de sua presença. Durante o tempo que passaram entre a criação e a expulsão do Paraíso, conheceram coisas maravilhosas; é impossível que não tenham transmitido a lembrança delas aos seus descendentes.
Também é difícil supor que o primeiro homem não conhecesse sua própria origem e a do mundo, ou que, conhecendo-a, nada tivesse contado a seus filhos e, ao longo de toda a sua vida, jamais tivesse mencionado a Queda e os acontecimentos que a precederam.
O pai de toda a humanidade viveu novecentos e trinta anos e, nesse período, deve ter gerado inúmeros filhos (ainda que apenas os nomes de poucos tenham sido preservados). Todos eles contemplaram o primeiro chefe de sua linhagem, criado por Deus; conversaram com ele e aprenderam dele como o mundo foi criado.
Além disso, a extraordinária constituição corporal e espiritual que Deus lhe concedera revela quão profundo e exato era o seu conhecimento. Nós somos seus descendentes; mas ele, que foi criado diretamente por Deus, presente diante dele, deve necessariamente ter sido, por muitas razões, o mais nobre dos homens em corpo e alma.
(...)
6. A degeneração da sabedoria e das línguas
Nos séculos seguintes, é natural supor que esse grande conhecimento das coisas divinas e humanas, derivado dessa fonte verdadeiríssima, tenha sofrido muito devido ao modo de vida primitivo e ao isolamento dos primeiros homens, deteriorando-se cada vez mais com o passar do tempo.
À medida que o gênero humano se espalhava por toda a terra, os homens que ainda conservavam a antiga tradição tornavam-se cada vez menos numerosos e viviam cada vez mais distantes uns dos outros. Além disso, precisavam dedicar-se à própria subsistência. Era inevitável, portanto, que a memória das coisas antigas fosse negligenciada e permanecesse apenas entre poucos.
Provavelmente a escrita ainda não havia sido inventada antes do dilúvio; ou então seu uso desapareceu por causa dele; ou talvez ainda nem existisse mesmo depois. O que era transmitido apenas oralmente, sem o auxílio da escrita, facilmente caía no esquecimento.
A verdade permaneceu apenas entre poucos; já a falsidade, ou uma imagem obscurecida da verdade, deformada pelas fantasias e rumores populares, difundiu-se por toda parte.
Por isso, os povos mais antigos, estabelecidos justamente nas regiões onde ocorreram os acontecimentos primitivos — os caldeus, armênios, babilônios, assírios, egípcios e fenícios — conservaram testemunhos mais numerosos e mais claros dessas tradições.
Entre eles permaneceu a antiga teologia: às vezes manifesta e sem disfarces; às vezes oculta sob o véu das fábulas; outras vezes escondida e mascarada; e, não raro, corrompida por invenções ímpias...
Tradução a partir da versão alemã de Frank, Günter. Agostino Steuco: De Perenni Philosophia, Stuttgart: frommann-holzboog, 2024
A tradução para o português foi feita com o uso de IA para fins de divulgação.

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